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A Cidade da Cultura da Galiza

A imersão de sensações.

Um de entre muitos dos prazeres de viver no Norte de Portugal é inevitavelmente a proximidade a Espanha. A região autónoma da Galiza, até talvez pela própria geografia, funciona para os nortenhos como quase uma verdadeira extensão do Minho, com o acréscimo de se poderem aliar diferentes experiências e regalias da própria cultura espanhola. É com esse privilégio que, a apenas duas horas de carro de Viana do Castelo, se consegue chegar à capital da Galiza, a cidade de Santiago de Compostela e, é precisamente ainda a efetuar-se o acesso à cidade que se descobre ao longe, uma grande extensão de paisagem maioritariamente de cor clara em contraste com as cores de uma montanha, quase se assemelhando a uma pedreira. Essa montanha trata-se do Monte Gaiás e nele encontra-se o título deste artigo, a Cidade da Cultura da Galiza.

Idealizada pelo arquitecto americano Peter Eisenman, que ganhou o concurso internacional de arquitectura lançado em 1999 pela Junta da Galiza com um programa definido para a realização de um museu, uma biblioteca e espaços de espetáculos, Eisenman projectou seis edifícios concebidos em três pares: o museu da Galiza e o centro de arte internacional, a biblioteca da Galiza e o arquivo e, um teatro musical e um centro para a inovação cultural. O complexo ainda se encontra a em fase de construção, possuindo quatro desses edifícios já concluídos e em uso. O arquitecto Peter Eisenman, para além dessa formação, é também doutorado em Filosofia, e a verdade é que depois de se saber isso, quando se começa a estudar o seu estilo e as suas obras, essas influências sobressaem. A sua obra descreve-se geralmente como caracterizada pelo desconstrutivismo e pelo seu interesse pelos signos, símbolos e processos significação. Peter Eisenman afirma que a sua arquitectura…

Trata-se de interromper qualquer comunicação e situar dentro da própria arquitectura um dispositivo que faz com que a pessoa reaja de forma emocional, física e intelectual. Sem representação. A minha arquitectura não significa nada. Mas a experiência é outra coisa.

Peter Eisenman sobre o seu significado de arquitectura.

E a verdade é que, presenciando a Cidade da Cultura da Galiza, e lendo depois essa sua descrição, aquilo que se consegue afirmar é que o seu propósito foi efectivamente conseguido.

fotografia de eisenmanarchitects.com

A complexidade e multiplicidade de soluções presentes é tal que, assim que se entra dentro de um dos edifícios, os panos que fazem as fachadas exteriores, pelo lado interior parecem uma fachada completamente diferente. Para além disso, verifica-se quase sempre um segundo pano interior com uma estereotomia diferente criando a sensação da quase existência de um novo edifício, dentro do edifício da casca exterior. A heterogeneidade da relação entre formas curvilíneas e rectas, bem como a irreverência de alinhamentos e inclinações é tal que, se entende logo à partida que não existe um metro quadrado igual em todos os edifícios que, com a envolvente ocupam uma intervenção de 141.800 metros quadrados. Estar na Cidade da Cultura da Galiza, no exterior ou no interior de qualquer um dos edifícios, significa ter-se a constante sensação de se ficar imerso em diferentes estímulos, de todo o género e forma, e de serem tantos que não se conseguem absorver e processar todos. Este facto faz com que qualquer visitante tenha vontade de lá voltar, para poder ver mais, mais pormenores, sentir mais coisas diferentes, experimentar mais perspectivas diferentes e aliar a tudo isso ainda os eventos culturais, artísticos e as constantes exposições. Quando nós visitamos pudemos ver exposições de arte e uma exposição sobre “Cinema e Emoções, Uma Viagem à Infância”.

Mas deste complexo cultural, não se deve apenas particularizar os seus edifícios, mas também realçar os arranjos exteriores que revelam harmonias com jardins cuidados de plantações nativas da região da Galiza, e até mesmo, um lago e jardins literários que servem também de casa a várias espécies de animais. Aqui, não falta o que fazer, experimentar, ver e sentir. A única coisa que falta é mesmo poder desligar o botão do tempo para se poder apreciar todos os detalhes e pormenores.

Algumas fotografias da nossa visita