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Cruella

A quantidade e a qualidade criativa e estética da Disney num só filme.

Por vezes existem histórias que estão tão relacionadas com a nossa infância que quando nos tornamos adultos, e se realiza um remake em versão cinematográfica, mesmo não sendo uma versão de animação, é inevitável que se fique com uma grande relutância em lhe ser dada uma oportunidade. Julgo que isto acontecerá apenas por não querermos que aquela história que guardamos carinhosamente na nossa memória seja “danificada” ou simplesmente até porque consideramos que, será difícil superar aquela memória, ainda para mais, agora em fase adulta. Se fossemos efectivamente justos nesse juízo, não nos poderíamos também esquecer que, de facto, nunca houve um história de animação exclusiva da Cruella, a vilã dos “101 Dálmatas”, e parece ser interessante logo à partida podermos ver uma perspectiva nunca antes vista.

Ganhando-se coragem então para se ultrapassar aquele síndrome de Peter Pan, verifica-se que a história está extremamente bem montada, prendendo-nos ao ecrã pela sua falta de previsibilidade e pelo constante incitar à curiosidade. Para além da excelente construção da própria história, o filme apresenta bons diálogos e assuntos bastante pertinentes que fazem reflectir agora o adulto, e não a criança. Algo que surpreende constantemente durante o filme, é a quantidade e a qualidade criativa, da história e de toda a sua construção, conseguindo surpreender com fenómenos de criatividade dentro da própria criatividade, não esquecendo que, como já sabíamos da nossa infância, que a própria Cruella está inserida no mundo da moda, ou seja, num mundo de criatividade já só por si. Como se ainda não chegasse, o filme ganha também pelo cuidado e tratamento visual que apresenta e por uma excelente banda sonora. Por último, mas não menos importante, o papel de l é desempenhado pela actriz Emma Stone, que volta ao grande ecrã com uma grande representação, também a efectuar a ponte entre as memórias de infância, e agora, a vida adulta.