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[ Ensaio Académico ]

luz, contraste e reflexão

Reflexão sobre textos de Baeza, Utzon e Zumthor

Sobre o mundo que nos rodeia devemos procurar olhar, ver e observar. Não nos podemos apenas cingir a um desses atos, mas sim a todos eles, de todas as formas, de todas as perspetivas e até em tempos diferentes. A arquite(c)tura descreve-se segundo conceitos que muitas vezes são em simultâneo objetivos e subjetivos, e que são inclusive diferentes ao longo de um tempo até próximo, ou mesmo de um tempo longínquo. Na arquite(c)tura, a luz, é precisamente um desses conceitos. A luz tem a capacidade de transmitir uma variada quantidade de informação ao seu preceptor – recetor quando considerada, apenas numa fração de segundo. Mas, se considerarmos esse constituinte ao longo de frações temporais superiores, as suas combinações passam a ser múltiplas, e conjugáveis com dados adicionais. A luz tem a capacidade de moldar os espaços de forma diferente, pode criar diferentes experiências sensoriais num mesmo espaço, o que leva a que inevitavelmente se passem a viver esses espaços de forma distinta e variada. O reflexo visual, por exemplo, só existe como consequência da luz, em conjugação com diferentes planos e pela especificidade da sua materialização. Essa possível fenómeno de metamorfose, é algo que acrescenta versatilidade aos espaços e incita à criatividade dos seus ocupantes. Essa capacidade, a criatividade, deverá ser considerada transversal a todo o ser humano e, passar a ser uma necessidade irrefutável, de todo e qualquer ofício, manifestando-se em valor individual e grupal. A arquite(c)tura tem por isso um importante papel no controlo de diferentes variáveis que, proporcionem reações inconscientes num primeiro momento, mas que num momento seguinte, permita que se manifeste sob a forma consciente. O vídeo de 60 segundos que se apresenta compreende um conjunto de fotografias e vídeos que produzi no último ano e mas também alguns deles a serem efetuados exclusivamente para o presente vídeo. Nesse ensaio, por observação e experimentação, exploraram-se jogos de luz, contraste e reflexões que me permitiram ver o que me rodeia de uma forma alternativa e também muito experimental. O vídeo termina com um ser humano e uma ave, a circularem mutuamente num dia de muito nevoeiro. O facto desse ser humano se encontrar entre mim, e a fonte de luz, aliada à neblina existente daquele particular momento, proporcionou um contraste de luz que permitiu observar apenas aquele simples ato, sem outra qualquer distração que pudesse existir na envolvente, mas que naquele preciso momento era inexistente. Escolheu-se terminar precisamente com essa peça, por se demonstrar resumidamente como a luz, o contraste e a reflexão podem mudar tanto a sensação espacial e nos denotam elementos tão distintos, num mesmo sítio, em dias diferentes, a horas diferentes. Escolheu-se também terminar com essa peça, por se incluírem nessa representação, o ser humano, um animal e o poder da natureza.